domingo , 12 julho 2020
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NITEROI, BRAZIL - APRIL 30: A health care worker holds a test for patients suspected of being infected with for the coronavirus (COVID-19) at the Center Health Vicoso Jardim, on April 30, 2020 in Niteroi, Brazil. AccordBrazil currently has over 80,000 confirmed cases of coronavirus (COVID-19) and over 5,500 registered deaths. (Photo by Luis Alvarenga/Getty Images)

Testes rápidos que estão sendo aplicados em massa, apresentam grandes chances de falsos negativos e são um risco

Com alta chance de falsos negativos, e sendo incapaz de detectar o vírus desde o primeiro dia de transmissão, a utilização de testes rápidos para controle epidemiológico pode ter efeito contrário ao esperado, criando grande risco no momento de reabertura gradual das atividades

No momento em que várias cidades iniciam a volta às atividades em níveis controlados, ganha ainda mais importância a necessidade de se realizar testes em massa seguros, para que seja possível mapear e conter, de forma 100% eficaz, a disseminação pelo SARS-CoV-2. Contudo, os testes em massa realizados atualmente são imunoensaios – em sua quase totalidade na forma de testes rápidos baseados em antígenos e anticorpos -, que apresentam grandes chances de falso negativo se não aplicados corretamente, e principalmente por não serem capazes de detectar o vírus a partir do primeiro dia de contágio.

O mais indicado para a realização de testes em massa na fase aguda da pandemia, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), é o teste PCR, que detecta com quase 100% de precisão a presença do vírus SARS-CoV-2 já a partir do primeiro dia de contágio. Seguindo os protocolos das instituições internacionais CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças, Estados Unidos) e OMS (Organização Mundial da Saúde, Brasil), é o teste indicado para a contenção do avanço da doença. Aproximadamente 80% das pessoas contaminadas não apresentam sintomas, porém podem disseminar o vírus.

“Sem a testagem pelo método PCR, que permite detectar vírus SARS-Cov-2 já a partir do primeiro dia de contaminação, o vírus continuará se alastrando no País de forma descontrolada”, afirma a biomédica Dra. Alexandra Reis, expert em padronização e desenvolvimento de exames moleculares em laboratório de rotina, que participou de diversos projetos de saúde, públicos e privados e é Ph.D. em vírus respiratórios pela FM USP. Ela explica que o efeito pode ser o contrário do que se espera com a aplicação em massa de testes rápidos, pois, em vez de controlar, se dará a percepção de falsa segurança, fazendo com que as pessoas continuem contaminando umas às outras.

A questão é que ainda há um desconhecimento grande sobre quais são as características de cada um dos testes e sua eficácia real. “Falta informação sobre qual a melhor metodologia para conduzir a testagem em massa. Muitas vezes a opção é pelo teste de menor custo, mas, ao final, isso pode ter um ônus enorme para a saúde e segurança da população”, acrescenta Alexandra, que é diretora da empresa Testes Moleculares e está à frente do programa de testes em massa em andamento no município de Parauapebas, no Pará, que já testou cerca de 5.000 pessoas em quatro dias.

Entenda melhor a diferença entre os testes rápidos e o teste molecular:

Teste PCR

Detecta com altíssima precisão a presença do vírus SARS-CoV-2 em tempo real, ou seja, a partir do dia 01 de infecção. Este teste oferece um resultado confiável e definitivo, que corresponde ao exato momento da presença do vírus no corpo do paciente. Não requer coleta de sangue e é considerado o exame padrão-ouro para o diagnóstico da presença do RNA viral do SARS-CoV-2. A metodologia utilizada pela Testes Moleculares prevê a coleta de 2 swabs de nasofaringe e a análise de três pontos do gene do vírus, garantindo total eficácia na análise e nos resultados. Para realizar o teste, o paciente não precisa estar com qualquer sintoma da COVID-19.

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