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STF suspende venda da Celepar por risco à proteção de dados

A decisão de Flávio Dino, que suspendeu o processo de venda da Celepar, estragou o almoço de domingo de muitos palacianos

A decisão proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que suspendeu o processo de venda da Celepar estragou o almoço de domingo de muitos palacianos — ao mesmo tempo que rendeu brindes extras no regabofe da oposição. A notícia já chegou ao governador Ratinho Junior, que está de férias com a família nos Estados Unidos.

A decisão atendeu parcialmente à ação apresentada por PT e PSOL que questiona a desestatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná e agora obriga o governo a rever todo o cronograma desenhado dentro do Palácio Iguaçu. A data do leilão marcado para o próximo dia 17 de março na Bolsa de Valores, B3, em São Paulo, já é considerada página virada, “inviável”, dentro do governo.

Flavio Dino entendeu que há risco à proteção de dados pessoais, especialmente diante da possibilidade de transferência do controle acionário da empresa à iniciativa privada. O entendimento de Flávio Dino atrapalha, e muito, os planos do Palácio Iguaçu.

No despacho, o ministro determina que seja comunicado com urgência o governador Ratinho Junior, o diretor-presidente da Celepar, Gustavo Garbosa, e ao presidente da B3, Gilson Finkelsztain, para que “mantenham os próximos passos administrativos suspensos, até a reanálise por este STF”.

Uma das autoridades do governo envolvidas diretamente no processo de desestatização da Celepar classificou a decisão de Flávio Dino como meramente política. O governo deve agora lançar uma ofensiva para sensibilizar os 0s demais ministros da Suprema Corte — já que a decisão de Flávio Dino será submetida ao colegiado. “A decisão é politica e não técnica. Tem que ir para o plenário”.

Uma fonte do Palácio Iguaçu disse ao Blog Politicamente que nem tudo está perdido, mas que já vê com muito pessimismo a ideia da privatização acontecer ainda na gestão de Ratinho Junior, já que o governador deve se desincompatibilizar do cargo até 4 de abril.

“Agora é uma corrida contra o tempo, mas é muito difícil que o STF tenha uma decisão final nas próximas semanas. O governo vai fazer o dever de casa, primeiro apresentar as informações solicitadas pelo ministro e depois apresentar seus argumentos aos demais ministros da Suprema Corte para tentar derrubar esta liminar do Flávio Dino”, afirmou.

Outro palaciano, mais otimista, acredita que o plenário do STF vai avalizar a venda da Celepar e a discussão “pode render uma como uma vitória política de Ratinho no cenário nacional”.

Relatório

O ministro determinou que o Estado do Paraná elabore, “antes que evolua a desestatização da CELEPAR, um relatório de impacto à proteção de dados pessoais específico para a transição societária, a ser submetido à ANPD para fins de análise e sugestões de padrões e de boas práticas, em estrita consonância com os princípios da responsabilização e da prestação de contas que informam as atividades de tratamento de dados”.

Pontua ainda que o governo deve preservar os poderes fiscalizatórios, de forma direta, sobre as atividades de tratamento dos dados pessoais sensíveis e classificados na LGPD, sem prejuízo da competência da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

E que preserve ainda o controle sobre os sistemas e as bases de dados pessoais sensíveis e classificados na LGPD, “vedada a sua transferência integral a entes de natureza privada, exceto na hipótese em que o capital seja integralmente constituído pelo Estado”.

“Demostrado o cumprimento dos requisitos acima, voltem conclusos os autos, para reanálise da tutela liminar e/ou apreciação do mérito. Sem prejuízo de sua eficácia imediata, submeto a presente decisão liminar a referendo do Plenário”. 

Ainda no despacho, Flávio Dino cita as decisões do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, que ora avaliza a venda, ora o interrompe — o que configura “indesejado cenário de insegurança jurídica, inclusive para os futuros participantes da desestatização”. Em outro trecho, Flávio Dino cita que “não se cuida de uma operação corriqueira de mera alteração do controle acionário de uma empresa que atua em um determinado ramo comercial”.

Governo questiona decisão

Por meio de nota, o Governo do Paraná afirmou que “o processo é absolutamente constitucional, segue todos os procedimentos previstos na legislação para proteção de dados pessoais e vai recorrer da decisão. A desestatização da Celepar é uma medida estratégica para impulsionar a execução de melhores serviços para os cidadãos”.

Uma fonte envolvida em todo este processo da venda da Celepar disse ao Blog Politicamente que, após a decisão de Flávio Dino, “resolver a pendenga no STF passou a ser o plano A do governo”. Ele lembra que a o Advogado-Geral da União manifestou-se pelo não conhecimento da ação do PT e PSOL.

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